Busca por um legado
Thaís Viveiro
No encontro Bravo! do mês de outubro, o editor de conteúdo da revista, João Gabriel de Lima, lançou a seguinte pergunta: com todas as transformações que a produção musical vem sofrendo, será que a música de hoje deixará clássicos para o futuro? A questão lida com a relação entre o artista e o público. A capacidade de um artista mobilizar um número significativo de fãs e ser lembrado depois – afinal, a música parece ter uma vida cada vez mais curta. A revista trouxe esse mês uma artista que viu seu mais recente trabalho nascer da preocupação com a efemeridade da arte e da necessidade de compartilhar suas criações.
Meredith Monk, cantora americana, trouxe com o espetáculo Impermanência a ambição de aumentar o número de influenciados por sua obra e construir um legado musical. O que a repórter Elisa Tozzi nos mostra, no entanto, é justamente que a artista, antes mesmo da criação deste espetáculo, já havia atingido seu objetivos. Lendo os exemplos que a repórter traz para demostrar isso, percebi que tinha razão, apesar de eu nunca ter ouvido o nome da cantora antes.
Meredith não está entre os nomes conhecidos pelo grande público, mas está relacionado a nomes certamente familiares ao leitor da Bravo!. Suas músicas estão em filmes de Godard e dos irmãos Coen. Sua técnica vocal está presente nos trabalhos de Björk, sua admiradora
desde os 16 anos (na matéria do Estadão sobre Meredith, ela é considerada mãe da islandesa). Chegou também ao Brasil, no trabalho do grupo paulistano Mawaca. Mostra-se que o legado não está relacionado a um sucesso comercial, mas justamente à capacidade de produzir mais cultura.
A matéria pecou por não explicar melhor qual é o legado da cantora. Fala-se, por exemplo, em integrar diversas áreas da arte, mas não como isso é realizado. Apenas lendo o texto, não consegui imaginar como seria o som, ainda mais porque Meredith extrapola o conceito convencional de música. Fotos do espatáculo talvez ajudariam, já que se trata de uma apresentação performática. No canto da página, no entanto, havia um aviso remetendo ao site da revista: “conheça o trabalho da multiartista e dos que foram influenciados por ela”. Estou até agora procurando este material no site. Avise-me quem achar!
Add comment November 21, 2008
Time de blogueiros
Carolina Rossetti
A Bravo! está entrando com força no universo do jornalismo online. Cada vez mais se acentua a integração o conteúdo produzido pela versão impressa da revista com aquele do seu site.
No mês de novembro a revista deu o passo mais concreto para essa convergência entre as esferas do online com o da redação tradicional, publicada mensalmente. Na seção de teatro e dança da revista foi publicado, pela primeira vez, um texto de um blogueiro, o professor universitário e escritor Paulo Roberto Pires.
No editorial fica avisado que a partir deste mês a Bravo! contará com a colaboração de três novos blogueiros para comentar o que acontece de culturamente relevante no mês.
A essência do blog, como eu o avalio, é a destruição da hierarquia centralizadora da informação. É, portanto, a substituição de uma elite da informação por um espectro maior de comunicadores, criando uma ponte mais próxima entre o produtor de conteúdo e o receptor; em um universo 2.0 estes dois se misturam.
Com a inserção de blogueiros no corpo editorial da revista, a Bravo! tenta passar uma imagem de revista moderninha, antenada com o seu leitor. João Gabriel, ao falar de seu novo time de blogueiros, diz que são “extremamente parecidos com os leitores da revista. Os três são apaixonados por cultura. Freqüentam compulsivamente shows, concertos, espetáculos em geral. Têm estilo próprio e detestam o senso comum.”
A tentativa é aproximar o leitor da Bravo! das pessoas que ali escrevem, talvez uma oportunidade para destituir a imagem ultra-cult e intelectualizada da revista. A busca por uma linguagem mais despojada e familiar, típica dos blogs, pode criar um maior apelo para leitores jovens, aumentando assim a procura pela revista.
Como já havia comentado no meu post anterior, fica cada vez mais difícil cercear o jornalismo da Bravo! como sendo apenas o conteúdo mensal que vai para publicação. Os textos do site estão ganhando mais importância, e incentivando a participação do internauta no debate sobre cultura. Isso se dá especialmente devido à nova seção “Assunto do Dia” que, por vezes, produz textos mais sintonizados com as polêmicas no campo das artes, como foi o caso da seção de teatro no mês de outubro.
O texto do blogueiro Paulo Roberto Pires, publicada em novembro, é uma porta aberta um novo tipo de linguagem, antes não vista na Bravo!; menos sofisticada, mais engraçada, de leitura mais rápida e opinativa, sem ter muita relevância com as pautas da revista ou com a agenda cultural do Brasil, visto que Pires escreve sobre sua reação a uma peça de vanguarda que teve a oportunidade de ver quando em Nova York.
Não sei se essa proposta de rejuvenescimento do estilo da revista terá boa resposta diante do leitorado mais maduro, e me pergunto, também, sobre qual o teor informativo desses textos dos blogs. Penso que cabe aos novos integrantes da revista, ampliar o universo das pautas e discussões. Trarão eles algo de novo e criativo para além da cobertura já feita pela revista?
Acredito que a Bravo! está buscando romper com o seu formato tradicional (e previsível) de cobrir cultura no Brasil, resta descobrir o quão inovador e funcional será esse novo time de blogueiros.
Add comment November 19, 2008
Basta um beco
Eduardo Hiraoka
Muitos, entre crítica e público, reclamam da falta de grandes revelações no atual cenário musical do Brasil, país que em décadas passadas revelou exércitos de artistas de altíssima qualidade, desde Tom Jobim até os Novos Baianos.
Porém pouco se comenta a respeito de uma questão fundamental que está diretamente ligada ao problema da escassez citado anteriormente. Para que estas revelações apareçam é preciso que haja uma estrutura básica que as suporte inicialmente. É preciso uma vitrine, onde elas possam ser vistas – no caso da música, um palco, onde elas possam cantar.

Entre os anos 50 e 60, esta vitrine estava localizada na rua Duvivier, em Copacabana, Rio de Janeiro. Era o chamado “Beco das Garrafas”, nada menos do que o “berço” da Bossa Nova. Agora, no ano de 2008, aproveitando o festejado cinqüentenário de Chega de Saudade, o veterano produtor Luís Carlos Miele resolveu voltar ao antigo reduto artístico e fazer a música ecoar novamente no “Beco”.
E aproveitando o gancho da recuperação do “Beco”, a revista Bravo! trouxe, em outubro, um breve histórico sobre o local e sobre suas três principais boates – o Little Club, o Bottle’s e o Baccarat.
A matéria conta que, apesar do apelido pouco convidativo, a rua Duvivier viveu, em seu auge, uma verdadeira efervescência de novos talentos da música brasileira. Listando grandes nomes (como Elis Regina e Jorge Ben – hoje consagrados, mas na época, meros iniciantes), o repórter Fábio Rodrigues busca revelar a importância que o “Beco” representou para aquele momento da produção cultural carioca. A matéria também mostra como, sem apoio, o lugar logo foi abandonado.
Porém mais importante do que a conservação da memória daqueles bons tempos, é o exemplo que eles podem nos deixar. Pois aquelas três precárias boates, escondidas numa ruela de Copacabana, são a prova de que não é necessário muito esforço encontrarmos novas revelações na música brasileira. Este país transpira boa música. Só é preciso dar oportunidade para que ela se faça ouvir.
Add comment November 17, 2008
O berço da pauta
Carolina Rossetti
A coluna “Assunto do Dia”, do site da revista Bravo! criada em julho deste ano, foi uma boa alternativa para incentivar o debate dos leitores sobre temas de cultura. O editor chefe João Gabriel de Lima diz que, às vezes, essas discussões, iniciadas no site, ganham corpo e se desdobram em matérias mais extensas, publicadas, então, na revista impressa.
Com a análise que aqui fizemos nestes últimos meses, pude perceber que as pautas da Bravo! se constroem com base em alguns pilares básicos. Primeiramente, o mais relevante para a escolha das pautas parece ser a agenda cultural do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, como a estréia de filmes, peças de teatro, exposições e lançamento de publicações. Outros locais do Brasil ainda são parcialmente contemplados.
Cursos, palestras e encontros, dos quais participam os colaboradores e jornalistas da Bravo!, também, são espaços que potencialmente geram discussões relevantes para a revista, como foi a feira de Paraty que pautou a capa da edição de agosto.
Em seguida, a versão online da revista propõe todo dia um debate sobre algum tema de cultura. Vemos, portanto, que as pautas da Bravo! são escolhidas em resposta a essa confluência de espaços de encontro com a cultura (incluam-se aí os virtuais, como sites e blogs).
João Gabriel de Lima diz em um de seus editoriais que é a partir dessa “circulação de idéias que se faz uma revista de cultura”. Na internet, essa participação democrática no debate cultural se faz mais intensa e daí surgem, às vezes, os assuntos mais dinâmicos e interessantes do jornalismo produzido pela Bravo!
Pelo menos essa foi a minha opinião a respeito do mês de novembro, em relação à seção de teatro e dança. O assunto do dia 23 do mês anterior, “Onde estão os novos dramaturgos?”, de Laila Abou Mahmoud é talvez umas das pautas mais perspicazes sobre dramaturgia que a Bravo! emplacou, neste semestre.
Esse texto, mais que tentar identificar alguns dos pólos produtores de uma nova dramaturgia brasileira, se origina de uma observação inteligente da agenda teatral de São Paulo, que de acordo com ele, deu ênfase grande ao revival de encenações brasileiras da década de 1980. Afinal, onde estão as promessas do teatro brasileiro hoje? Esse é o foco principal da matéria que peca apenas por ser demais sucinta, ficando um gostinho de quero mais. Acredito que esse é um tema que deveria ser rediscutido pela editoria e possivelmente ampliado, em uma matéria maior e mais aprofundada nas próximas edições da revista. Fica a dica.
Add comment November 14, 2008
Tchubaruba até cansar
Thaís Viveiro
O repórter Armando Antenore já havia sugerido uma pauta sobre a jovem Mallu Magalhães há algum tempo, logo quando a cantora começou a despontar, contou João Gabriel, editor de conteúdo da revista, no último encontro Bravo!. A matéria, no entanto, saiu apenas em outubro, depois de muito já se ter ouvido sobre a garota de 16 anos.
Ainda assim, o repórter conseguiu trazer fatos novos e interessantes sobre a vida de Mallu e o começo pouco convencional de sua carreira. Armando Antenore mergulhou nos pensamentos e mostrou os passos que fizeram a cantora de Tchubaruba se tornar a representante brasileira daqueles que fazem parte de uma nova lógica da indústria fonográfica. A matéria, no entanto, teria sido muito mais surpreendente se feita assim que a pauta foi sugerida.
O episódio me fez refletir sobre a razão de ser do jornalismo cultural. Se o artista já pode se dar ao luxo de construir sua carreira sem assinar contrato com gravadoras, a mídia continua sendo essencial para que ele amplie seu público. De acordo com a matéria, o MySpace da Mallu Magalhães (onde primeiro divulgou seu trabalho) beirava 200 acessos em outubro de 2007. No final de janeiro do ano seguinte, depois de o jornalista musical Lúcio Ribeiro escrever uma nota sobre a garota em seu blog, sua página ultrapassava os 70 mil acessos. Do blog para a grande imprensa, da grande imprensa para o Jô Soares e comerciais de celular. A mídia construiu esse “fênomeno pop” ao qual a matéria se refere.
O público, da mesma forma, também depende da imprensa para ampliar seu repertório. Mesmo com a infinidade de informação disponível na Internet, o leitor agradece quando alguém pode guiá-lo, sobretudo aquele leitor que não é especialista no assunto. A mídia, pela autoridade que carrega, acaba conferindo um certo “certificado de qualidade” aos produtos culturais, como se dissesse “vale a pena ouvir isso”. O jornalista e seu editor, portanto, devem arriscar buscando novos artistas ao invés de repercutir o que está na mídia. E não seguir o que tem sido a “estratégia” fácil de grande parte das gravadoras nos últimos anos de investir sempre nos mesmos nomes, até que o público se canse. Assim como o artista, o jornalista deve usar a Internet a seu favor.
Antes e depois da revolução
É papel dos jornalista ainda suscitar debates e reflexões sobre os rumos da cultura, o que foi muito bem realizado no encontro Bravo! (o tema foi “Como a Internet mudou o mundo da música popular”). A revista, no entanto, não fez o mesmo, apesar de ter todos os ingredientes para isso: duas matéria consecutivas falando sobre períodos contrastantes da produção musical. A matéria seguinte, já comentada por Eduardo Hiraoka, trata um dos maiores executivos da indústria fonográfica que o país já teve. O leitor fica com o choque entre os dois momentos ao virar as páginas, mas nenhuma ponte é estabelecida entre eles de forma mais crítica.
1 comment November 13, 2008
Faltam livros!
Bruna Buzzo
Editorialmente falando, outubro deve ter sido um mês fraco. Talvez as editoras não tenham lançado livros interessantes, ou, quem sabe, a direção da Revista Bravo! não gostou muito deles. Na sessão de literatura, apenas dois textos, uma matéria e uma crítica. Se as Artes Plásticas e a Música foram bem em Outubro, faltaram Livros nesta edição. Talvez a abundância de setembro tenha esgotado a profusão editorial.
Na falta de livros, Bravo nos fala sobre O Forjador de Escritores, Assis Brasil, dono de uma “escola de autores literários”. O gancho publicitário para a matéria é o lançamento do livro de um de seus pupilos, Daniel Galera. A parte boa é que não sentimos tanto que a revista nos empurra um produto (como às vezes acontece, especialmente com CDs e Livros), mas, por outro lado, o assunto tratado nesta matéria também pode parecer irrelevante. O sujeito treina escritores. Legal, e dai? Parece que falta algo.
A matéria da revista Bravo! nos conta como funciona um escola de autores, quais os critérios usados na rigida seleção para as 15 vagas anuais e fala dos principais sucessos obtidos por seus ex-alunos. Depois de nos falar sobre as obras publicadas pelos principais destaques da escola de Assis Brasil, Bravo! dedica um intertítulo ao professor e à sua obra, nos mostrando quem é este que ensina, qual sua tragetória literária e como ela completa os fundamentos que o escritor prega em sala de aula.
O escritor Assis Brasil acredita no talento como elemento fundamental à criação literária, um talento liberto pela técnica e por muito treino. Por seus argumentos, Bravo elogia o mestre e, ao longo do texto e no box final, nos lembra de vários título pelos quais podemos nos interessar, apenas um deles lançamento. À Bravo de Outubro, faltou buscar um lançamento que fosse vendável e um pouco mais simpático aos olhos dos leitores que o simpático professor, seus alunos e sua vasta estante de livros.
1 comment November 10, 2008
Jornalismo de autor
Carolina Rossetti
A chave para uma matéria de sucesso da Bravo! é ser ao mesmo tempo profunda – para satisfazer aos entendedores de uma vertente das artes – sem ser por demais específica e logo incompreensível para uma gama maior de leitores, como nos explicou João Gabriel de Lima, editor-chefe da Bravo!, durante uma conversa informal na Editora Abril.
O leitor da Bravo!, de acordo com João Gabriel, é uma apaixonado por cultura, ele geralmente acompanha uma área da cultura com mais atenção, mas quer saber o que está acontecendo de relevante em outras áreas naquele momento. Logo, todos os textos devem seguir duas premissas: ser o mais claro possível e instigante o suficiente (tanto para o perito como para o curioso).
Essas qualidades podem ser vistas na matéria da seção teatral do mês de outubro que trata da vida do dramaturgo polonês Ziembinski que ganhou muito reconhecimento na cena nacional ao assumiu a direção do Teatro Brasileiro de Comédia, em 1952. O leitor da Bravo! descobre no texto da jornalista e dramaturga Manoela Sawitkzi uma fluidez prazerosa.
João Gabriel diz que A Bravo! preza pela autoria e a manutenção do estilo próprio do escritor. Vemos muito bem isso em “A reestréia do Túmulo 21.091”, em que Manoela escreve sobre a reforma do então túmulo abandonado de Ziembinski, no Rio de Janeiro, patrocinada pelo consulado da Polônia em homenagem a um de seus mais ilustres cidadãos.
O texto tem um valor literário instigante, ele abre com a cena do cemitério, em tom descritivo, e dá voz ao personagem do cônsul-geral da Polônia, explicando a importância da instalação da nova lápide. Nisso a matéria se difere da cobertura mais tradicional do jornalismo cultural, voltado ao teatro, que vemos nos jornais e que serve para informar o leitor de uma nova estréia de espetáculo.
Neste caso o acontecimento é uma celebração pós-morten que dá continuidade para uma breve biografia de Ziembinski. O texto não está ligado à agenda cultural, mas não perde sua relevância. Informa, ao passo que narra uma história de um personagem fundamental do teatro brasileiro, e busca estabelecer um diálogo com uma ampla gama de leitores, tanto aqueles que já tinham familiaridade com o trabalho de Ziembinski assim como aqueles que passarão a conhecer seu nome a partir desta leitura, e faz isso por meio de um estilo muito próprio. É um texto de qualidade, portanto, que segue os critérios de clareza/estilo/profundidade que a revista Bravo! pretende fornecer ao seu público leitor.
2 comments November 8, 2008
Meio cheia ou meio vazia
Stephany T. Guerra
A 28ª Bienal de São Paulo é o tema de capa, da edição de outubro, da Bravo!. Numa primeira folheada, o leitor mais desatento nem se dá conta de que nenhuma das fotos é dessa Bienal. E nem poderiam ser, afinal a revista foi lançada no início do mês e o evento foi inaugurado dia 26. Apesar desse pequeno detalhe, todas cumprem bem sua função e dialogam com os textos. Digo textos, pois a pauta é composta pela matéria principal e, nada menos que, oito retrancas (textos menores complementares).
“Esqueça aquela história de Bienal do Vazio” – essa é a primeira frase do texto principal. Ela vai de encontro ao ponto mais polêmico do evento, o andar sem obras ou performances de artistas convidados. Quem explica o motivo é o próprio curador Ivo Mesquita, uma fonte importante sem dúvida, mas que de certa maneira só tende a defender seu trabalho.
O argumento, que Ivo apresentou, de que o modelo da Bienal deve ser repensado é explicado e revalidado pela publicação. Partindo da premissa de que “o objetivo subjacente ao projeto era oferecer uma panorâmica da produção artística em determinado período”, a repórter argumenta que hoje as feiras de arte já cumprem essa função. A conclusão apresentada, que induz o leitor sem conflitos de opinião, é de que “isso [o objetivo inicial da Bienal] soa, além de obsoleto, impraticável”.
A tentativa de solucionar o problema é mais uma vez dada pelo curador. Nesse ponto, é necessário apontar para a falta de fontes da matéria. Não há outra voz de autoridade no texto que confronte ou apoie as opiniões de Ivo Mesquita. Além dessa lacuna, e talvez também por causa dela, os fatos referentes à Bienal, apresentados pela Bravo!, parecem sustentar os argumentos do curador.
Os problemas da má administração e da falta de verba são citados apenas no último parágrafo do texto. As informações, mais objetivas e convincentes, poderiam ter sido utilizadas ao longo da matéria para argumentar a favor da organização da 28ª Bienal de São Paulo. Ao invés de deter-se apenas nas opiniões artísticas do curador e fatos ligados a elas, a Bravo! convenceria muito mais se apresentasse também questões que fizessem com que o leitor refletisse melhor sobre a edição desse ano. Criticar é sempre mais simples do que o resolver o problema em si.
A descrição do que o público irá encontrar no prédio do Ibirapuera é feita de maneira abrangente, pois os destaques são tratados nos textos complementares (dispostos individualmente a cada página). A revista mantém e cumpre bem seu caráter informativo e seu viés de divulgação, como o de costume. Infelizmente, como matéria crítica, é apenas um ótimo guia de exposição.
Add comment November 3, 2008


