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Papo desbravador

Ricky: Gente, enfim chegamos ao fim! Conseguimos desbravar a BRAVO???
Bruna: Talvez… E provavelmente perdemos também o amor (ou a consideração) que tinhamos pela revista neste meio tempo. Deve ter sido de tanto ler e analisar matérias, hoje acho que a Bravo sempre quer me vender alguma coisa. Quer que eu compre livros, veja filmes, compre CDs… Me desanimou um pouco.
Ricky: A análise da BRAVO me deixou um pouco decepcionado também.  Apesar de algumas reportagens serem excelentes, outras servem apenas para vender os produtos culturais. Mas, ainda assim, a BRAVO tem um grande predicado: é a única publicação que se dedica exclusivamente a cultura.  

Ste: Então, a Bravo! me causou certo saudosismo dos tempos em que começou. Enfim, também enjoei de ler a publicação, pelo menos por um tempo ficarei sem gastar R$11,90. Se alguém sentir muita saudade, acesse o site porque tem vários textos que podem lhe saciar. A propósito, podemos fundar uma revista no mesmo segmento já que descobrimos a inexistência de concorrentes diretos e desvendamos parte das construções textuais. Colaboradores, investidores, alguém se manifesta?

Thaís: O mesmo aconteceu comigo. O trabalho reforçou a idéia que eu tinha da revista inicialmente: raramente os textos se aprofundam no assunto e muitas vezes deixa de tocar em pontos essenciais. Claro que muito disso se deve à questão do espaço. E, por isso (também pelo preço, né Sté!), o site cai bem. Só decepciona quando não encontro o que a revista fala para eu procurar lá…   

Thaís: Concorrência faria bem! Entro como colaboradora!
Bruna: Eu adoraria colaborar, seria uma parceria divertida! Imaginando agora, em um delirio pela madrugada, o Ricky seria o editor chefe, porque ele gosta de mandar e faz isso bem, a Sté faria a arte, eu, Carol, Eduardo e Thais seriamos colaboradores! Uma parceria divertida. E não precisariamos apenas vender produtos. Poderiamos vender alguns (quando fosse conveniente) e fazer matérias mais analiticas, maiores e melhores. Aquelas que vocÊ olha e pensa “faltou pauta” me irritam um pouco, sei lá, essas pautas tapa buraco do jornalismo no geral me causam certo desconforto.

Ricky: Eu supertopo. Lembra do site que queria criar? Podemos e vamos fazer esse site juntos!!! Aliás, quero trabalhar com vocês no próximo semestre em Rádio e TV!
Eduardo: Eu também topo! Acho muito estranho essa falta de publicações culturais no Brasil. Será que dá tanto prejuízo assim? Em compensação, na internet, a concorrência é grande.
Eduardo: Peraí, que eu to fazendo Mitika
 

Ste: hahaha. Voltando ao tema inicial. Achei interessante a divisão que fizémos, pois foi possível ir um pouco além das simples análises textuais acrescentando elementos de relevância (ou não) em cada assunto. Reparei, como disse a Carol em seu último post (se não me engano), que eles escrevem bem apesar de não irem muito a fundo em cada pauta.
Ricky: A questão da profundidade é uma faca de dois gumes. Reclamamos que algumas matérias são superficiais, mas será que se fossem mais aprofundadas não as consederíamos sacais ou muito acadêmicas? Será que o público de cultura busca algo mais acadêmcio ou quer apenas a agenda? É difícil encontrar o meio-termo.
Eduardo: Além dessa falta de profundidade, eu e a Thaís estranhamos que, pelo menos na parte de Música, a Bravo! não se esforça para trazer novidades, revelar artistas desconhecidos. Eles apenas repercutem o que já está rolando na mídia. Mas é compreensível. Já é difícil vender a revista dessa forma; imagina se eles tivessem um foco mais alternativo.

Bruna: O Eduardo e a Thais queriam que a Bravo falasse de música indie! hahaha! Mas concordo um pouco com vcs… sinto falta de novidades, parece que escolhem sempre as mesmas figurinhas carimbadas no meio artistico-cultural. Por outro lado, também concordo em parte ocm o Ricky, se caisse em algo acadêmico ficaria chato. Muuuuito chato. Se bem que tem umas pautas nas quais eles fazem a mesma coisa que nós no JC (!): vão entrevistas um professor da USP e colocam aspas pra legitimar a fala. Foi assim com a matéria do Machado… E ficou meio sacal, mas não chato. E nem tão superficial. Foi uma das melhores matérias que li, juntava um bom autor, um gancho não forçado e tinha boas citações e tudo o mais. Foi bem feitinha. Tem matéria que o gancho é forçado DEMAIS! Até irrita (já falei isso umas mil vez por aqui, eu sei, desculpem).

Ste: É, então, concordo com a questão que o Rick levantou. Mas na seção de artes plásticas, na maioria ds vezes, eu ficava meio sem entender o porque o artistista se destaca ou é relevante. Alguma relevância sempre há, pois geralmente estão em algum centro de exposições significativo ou bateu algum recorde. Não queria um tratado ou uma explicação milagrosa, mas esperava um pouco mais. Encontrei uma ou outra matéria que eram bem equilibradas nesse ponto.

Ricky: Creio que o jornalismo cultural ainda é um campo muito pouco explorado. Ainda há muito a ser feito e testado. Cabe a cada um de nós tentar desbravar as veredas desse gênero jornalístico.

3 comments December 5, 2008

Mais do mesmo

Pude perceber ao longo deste semestre que a seção de teatro e dança da Bravo! nunca é a mais recheada, em geral, não ganha muito destaque e quase nunca é matéria de capa. Durante o período desta análise, pelo menos, a seção de teatro não emplacou nenhuma capa. A última que eu me lembre foi em junho, quando Wagner Moura acabava de lançar Hamlet. E neste caso foi muito mais um perfil do artista – vencedor do prêmio Bravo deste ano – e sua trajetória como ator depois do sucesso polêmico de Tropa de Elite.  

 De lá para cá, a cobertura jornalística da Bravo sobre teatro e dança não tem tido muito destaque. Edições que contam com duas matérias nesta seção podem se dar por privilegiadas. Mais comumente o que se vê é uma matéria maior de duas ou três páginas e uma crítica de alguma peça. Percebi um formato muito tradicional e diga-se, seguro, na escolha das pautas. Sendo assim, fugir do óbvio fica um pouco difícil, e a tentativa de promover um debate sobre as artes cênicas desprendido da agenda cultural fica à míngua.  

 As reportagens seguem um padrão: estão vinculadas a um espetáculo cultural do mês, e tentam contextualizar essa obra com alguma discussão maior no campo das artes – a eficácia disso depende do repertório cultural do jornalista. O corpo de jornalistas e dramaturgos que escreve nessa seção é pequeno e restrito, mas de qualidade. Em geral são pessoas influentes e conhecedoras do universo cênico e que, portanto, sabem circular na indústria teatral.
A matéria de novembro “O Despertar do Artista”, não diferente deste padrão que citei, começa com uma discussão geral sobre o fazer teatro. A introdução propõe que a adaptação contemporânea de peças clássicas pode gerar montagens interessantes, ou seja, é válida a reapropriação de obras de dramaturgos consagrados por correntes estéticas de vanguarda. Esta é a tese inicial que puxa a matéria. 

Em seguida, o texto se refere a uma remontagem da obra do dramaturgo britânico Harold Pinter que estréia este mês em São Paulo. Ao passo que tenta informar sobre a importância de Pinter para a dramaturgia universal – conhecido por seus diálogos confusos que provocam estranhamento no espectador – a matéria tenta promover, também, a companhia que está encenando uma de suas peças. No fim, um box que procura expor as vertentes do teatro de Pinter, com a amostragem de alguns de seus mais famosos diálogos.  

Com exceção do box, o texto é o arroz com feijão que estamos acostumados a ler na Bravo! e como já vimos exaustivamente repetido em edições anteriores. A Bravo! precisa inovar sua cobertura, nem tanto na qualidade dos textos – que são muito bem escritos – mas na proposta de pautas mais instigantes e na busca por novos formatos.

Add comment December 3, 2008

Presentes de fim de ano

Thaís Viveiro

O final de ano no Brasil é musicalmente agitado. Nessa época o país costuma receber grandes atrações internacionais em seus palcos. Este ano não foi exceção. TIM Festival e Terra trouxeram mais de 20 atrações internacionais à São Paulo. O público, vendo os preços absurdos dos ingressos, tem que escolher quais shows apreciará e a imprensa, por sua vez, quais eventos estarão em suas páginas. A Bravo!, tendo que manter um equilbrio entre as seções da revista, deve fazer uma seleção criteriosa para a cobertura dos eventos. A tarefa não é fácil.

A revista, no entanto, resolveu bem a questão quanto aos dois dos maiores festivais de música do país. O primeiro, nasceu como festival de jazz e hoje traz também atrações da nova cena do rock. O outro, o Festival Planeta Terra, a acabou de realizar sua segunda edição, mas já desponta como um grande festival de rock e música eletrônica. Nenhum dos eventos poderiam passar despercebidos pela revista. A solução foi trazer uma entrevista com uma atração de cada festival. Tratando-se de uma revista mensal, acho que foi uma forma muito pertinente de lembrar dos eventos, pois as matéria não perderiam sua validade depois de passados os shows.
Sonny Rollins no parque IbirapueraA revista escolheu aqueles que consideraram a principal atração de cada festival, ambos veteranos em seus respctivos estilos. Para o Tim, José Flávio Júvior entrevistou o lendário Sonny Rollins. Se o saxofonista era a principal atração do evento, não é possível garantir, uma vez que o festival trouxe músicos que agradariam a públicos diferentes. A escolha, no entanto, foi certeira. O artista era o único que, além da apresentação no Auditório Ibirapuera, iria fazer uma apresentação ao ar livre e de graça no evento, uma ótima oportunidade para os que ficassem com curiosidade de conhecer seu trabalho depois de ler a entrevista. Acabou sendo o show de maior sucesso no festival, que sofreu com cancelamentos de última hora. Para o Festival Planeta Terra, foi entrevistado, pelo mesmo repórter, o vocalista da banda veterana do rock Jesus and Mary Chain.
Os comentários sobre os eventos, no entanto, não se limitaram às páginas da revista. Outras atrações dos festivais foram apresentadas no site da Bravo!. O repórter comentou sobre os outros shows do Planeta Terra em podcast. Já para o Tim Festival, festival que teve suas atrações divididas em várias noites da mesma semana, José Flávio apresentou todos os artistas e mostrou suas apostas. O leitor da Bravo! não teve muitas dúvidas na hora de comprar seu ingresso.

Add comment November 27, 2008

Time de blogueiros

Carolina Rossetti

A Bravo! está entrando com força no universo do jornalismo online. Cada vez mais se acentua a integração o conteúdo produzido pela versão impressa da revista com aquele do seu site.

No mês de novembro a revista deu o passo mais concreto para essa convergência entre as esferas do online com o da redação tradicional, publicada mensalmente. Na seção de teatro e dança da revista foi publicado, pela primeira vez, um texto de um blogueiro, o professor universitário e escritor Paulo Roberto Pires.

No editorial fica avisado que a partir deste mês a Bravo! contará com a colaboração de três novos blogueiros para comentar o que acontece de culturamente relevante no mês.

A essência do blog, como eu o avalio, é a destruição da hierarquia centralizadora da informação. É, portanto, a substituição de uma elite da informação por um espectro maior de comunicadores, criando uma ponte mais próxima entre o produtor de conteúdo e o receptor; em um universo 2.0 estes dois se misturam.

Com a inserção de blogueiros no corpo editorial da revista, a Bravo! tenta passar uma imagem de revista moderninha, antenada com o seu leitor. João Gabriel, ao falar de seu novo time de blogueiros, diz que são “extremamente parecidos com os leitores da revista. Os três são apaixonados por cultura. Freqüentam compulsivamente shows, concertos, espetáculos em geral. Têm estilo próprio e detestam o senso comum.”

A tentativa é aproximar o leitor da Bravo! das pessoas que ali escrevem, talvez uma oportunidade para destituir a imagem ultra-cult e intelectualizada da revista. A busca por uma linguagem mais despojada e familiar, típica dos blogs, pode criar um maior apelo para leitores jovens, aumentando assim a procura pela revista.

Como já havia comentado no meu post anterior, fica cada vez mais difícil cercear o jornalismo da Bravo! como sendo apenas o conteúdo mensal que vai para publicação. Os textos do site estão ganhando mais importância, e incentivando a participação do internauta no debate sobre cultura. Isso se dá especialmente devido à nova seção “Assunto do Dia” que, por vezes, produz textos mais sintonizados com as polêmicas no campo das artes, como foi o caso da seção de teatro no mês de outubro.

O texto do blogueiro Paulo Roberto Pires, publicada em novembro, é uma porta aberta um novo tipo de linguagem, antes não vista na Bravo!; menos sofisticada, mais engraçada, de leitura mais rápida e opinativa, sem ter muita relevância com as pautas da revista ou com a agenda cultural do Brasil, visto que Pires escreve sobre sua reação a uma peça de vanguarda que teve a oportunidade de ver quando em Nova York.

Não sei se essa proposta de rejuvenescimento do estilo da revista terá boa resposta diante do leitorado mais maduro, e me pergunto, também, sobre qual o teor informativo desses textos dos blogs. Penso que cabe aos novos integrantes da revista, ampliar o universo das pautas e discussões. Trarão eles algo de novo e criativo para além da cobertura já feita pela revista?

Acredito que a Bravo! está buscando romper com o seu formato tradicional (e previsível) de cobrir cultura no Brasil, resta descobrir o quão inovador e funcional será esse novo time de blogueiros.

Add comment November 19, 2008

O berço da pauta

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Carolina Rossetti

A coluna “Assunto do Dia”, do site da revista Bravo! criada em julho deste ano, foi uma boa alternativa para incentivar o debate dos leitores sobre temas de cultura. O editor chefe João Gabriel de Lima diz que, às vezes, essas discussões, iniciadas no site, ganham corpo e se desdobram em matérias mais extensas, publicadas, então, na revista impressa.

Com a análise que aqui fizemos nestes últimos meses, pude perceber que as pautas da Bravo! se constroem com base em alguns pilares básicos. Primeiramente, o mais relevante para a escolha das pautas parece ser a agenda cultural do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, como a estréia de filmes, peças de teatro, exposições e lançamento de publicações. Outros locais do Brasil ainda são parcialmente contemplados.

Cursos, palestras e encontros, dos quais participam os colaboradores e jornalistas da Bravo!, também, são espaços que potencialmente geram discussões relevantes para a revista, como foi a feira de Paraty que pautou a capa da edição de agosto.

Em seguida, a versão online da revista propõe todo dia um debate sobre algum tema de cultura. Vemos, portanto, que as pautas da Bravo! são escolhidas em resposta a essa confluência de espaços de encontro com a cultura (incluam-se aí os virtuais, como sites e blogs).
João Gabriel de Lima diz em um de seus editoriais que é a partir dessa “circulação de idéias que se faz uma revista de cultura”. Na internet, essa participação democrática no debate cultural se faz mais intensa e daí surgem, às vezes, os assuntos mais dinâmicos e interessantes do jornalismo produzido pela Bravo!

Pelo menos essa foi a minha opinião a respeito do mês de novembro, em relação à seção de teatro e dança. O assunto do dia 23 do mês anterior, “Onde estão os novos dramaturgos?”, de Laila Abou Mahmoud é talvez umas das pautas mais perspicazes sobre dramaturgia que a Bravo! emplacou, neste semestre.
Esse texto, mais que tentar identificar alguns dos pólos produtores de uma nova dramaturgia brasileira, se origina de uma observação inteligente da agenda teatral de São Paulo, que de acordo com ele, deu ênfase grande ao revival de encenações brasileiras da década de 1980. Afinal, onde estão as promessas do teatro brasileiro hoje? Esse é o foco principal da matéria que peca apenas por ser demais sucinta, ficando um gostinho de quero mais. Acredito que esse é um tema que deveria ser rediscutido pela editoria e possivelmente ampliado, em uma matéria maior e mais aprofundada nas próximas edições da revista. Fica a dica.

Add comment November 14, 2008


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