A obra do discurso
December 5, 2008
Stephany T. Guerra
Acompanhar a Bravo! ao longo desse semestre com o intuito de analisá-la foi uma experiência interessante. A seção de artes plásticas, da mesma maneira que a revista como um todo, obedece a algumas regras básicas tais como a seleção de pautas em sintonia com o que está acontecendo, a participação de colaboradores, a indicação de mais informações na internet, entre outras. A Bravo! se destaca principalmente por ser a única publicação nesse segmento, ou seja, voltada exclusivamente para a área cultural.
Apesar do pouco aprofundamento com relação à estética que permeia os artistas retratados, os textos são muito bem escritos como citou minha colega Carolina Rosseti. As fontes são sempre autoridades do meio (artista, críticos, curadores) que participam do processo de legitimação do que está presente nas páginas da publicação. O discurso, na minha opinião, tenta ser o mais claro, objetivo e conciso possível – escreve-se sobre a exposição/fato, a breve história do artista e a repercussão disso.
Apesar de ter observado esses pontos, ainda considero difícil analisar o discurso do jornalismo cultural. A primeira questão que surgiu foi a da subjetividade, principalmente, em se tratando de arte. Como expor o assunto sem opinar e convencer, por tabela, o leitor? A revista deveria ou não se posicionar? Na minha humilde opinião de aluna de jornalismo, o que mais faz falta é a exposição dos critérios, os mais simples pelo menos, que levam críticos ou público a achar alguma coisa sobre uma obra, por exemplo. O papel do jornalista, nesse caso, seria o de organizar o debate para que o leitor fosse capaz de formar uma opinião crítica sobre o que lhe é oferecido nas páginas da revista. Mas, infelizmente, não tenho muita confiança na sobrevivência da prática de tal idéia no mercado editorial atual.
Outra questão que rondou minha análise da seção de artes plásticas é da dificuldade em contar ao leitor, em poucas linhas, os valores próprios da arte conceitual (bastante presente dentre as pautas). A própria definição de arte em si perdura há séculos! Mas, aos poucos, fui deixando esse dilema de lado, pois quem compra a Bravo! já está aberto a aceitar com maior facilidade as novidades do meio – seja por já ter conhecimento, seja por confiar na publicação, ou qualquer outro motivo. Enfim, houve outras dúvidas, dilemas e preocupações na hora de analisar a Bravo!.
No início do projeto, o editor chefe da revista, João Gabriel, concedeu um tempo em sua agenda para um bate-papo com a equipe do Desbravar. Uma de suas opiniões sobre nós era a de que gostávamos da Bravo!, pôde perceber isso já nos primeiros textos publicados no blog. Ao longo do percurso notamos falhas, criticamos, elogiamos, cansamos… confesso, ficarei um tempo sem ler a revista, pelo menos durante essas férias. Acredito que o exercício tenha colaborado não apenas com a minha formação acadêmica, mas também na minha vida como leitora e aconselho, a quem interessar possa, essa reflexão sobre outras publicações também.
Entry Filed under: Artes Plásticas. Tags: análise, arte, blog, Bravo, conceito, crítica, cultura, discurso, jornalismo, linguagem.
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1. Mariana T. | December 10, 2008 at 6:42 pm
Talvez a tarefa do jornalista seja conceituar, contextualizar, mas pincipalmente, problematizar, noções que faltaram à Folha de São Paulo, por exemplo, na cobertura da Bienal. Cabe à Bravo preencher essas lacunas!