Oh! Que Bela Guerra!
December 3, 2008
Ricky Hiraoka
Filmes sobre guerra são tão constantes na cinematografia norte americana que constituem um gênero próprio. As produções hollywoodianas retrataram, e muito bem, importantes conflitos armados. A guerra de independência, a Guerra de Secessão, as Grandes Guerras Mundiais e a Guerra do Vietnã geraram clássicos do cinema. Entretanto, a guerra travada contra o terrorismo ainda não produziu nenhuma obra digna de nota. Os filmes sobre o tema não conseguem vencer a barreira do sucesso e se tornar campeões de bilheteria.
Arma política
Há episódios bem conhecidos sobre como o cinema foi usado para despertar nos jovens o desejo de fazer parte das Forças Armadas. O mais clássico é o Top Gun – Ases Indomáveis, estrelado por Tom Cruise e Val Kilmer. O filme ajudou a glamourizar a imagem dos militares e faz parecer que lutar em guerras é a mais comum das atividades.
Durante as filmagens de A Cor do Dinheiro, Paul Newman alertou Cruise do fato dele ter sido usado para promover a indústria bélica e de guerras através de sua beleza. Em contrapartida, Cruise produziu e protagonizou Nascido em 4 de Julho, que falava de um veterano da Guerra do Vietnã que se torna um ativista político contrário às guerras. Foi a forma que ele encontrou para se desculpar pela propaganda pró-guerra.
Utilizar o cinema como arma política já não surte o mesmo efeito. Ao contrário de outras guerras, o combate contra o terror não conseguiu legitimidade através do cinema. Ao que tudo indica, a máquina de guerra dos Estados Unidos perdeu uma importante arma política. A reportagem A Guerra em Três Tempos faz um interessante panorama sobre a relação do cinema com as guerras. Retomando clássicos do gênero, André Nigri explica, com muita competência, como cinema e guerra se inserem na cultura ianque e como uma coisa interfere e influencia a outra.
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