Mais do mesmo

December 3, 2008

Pude perceber ao longo deste semestre que a seção de teatro e dança da Bravo! nunca é a mais recheada, em geral, não ganha muito destaque e quase nunca é matéria de capa. Durante o período desta análise, pelo menos, a seção de teatro não emplacou nenhuma capa. A última que eu me lembre foi em junho, quando Wagner Moura acabava de lançar Hamlet. E neste caso foi muito mais um perfil do artista – vencedor do prêmio Bravo deste ano – e sua trajetória como ator depois do sucesso polêmico de Tropa de Elite.  

 De lá para cá, a cobertura jornalística da Bravo sobre teatro e dança não tem tido muito destaque. Edições que contam com duas matérias nesta seção podem se dar por privilegiadas. Mais comumente o que se vê é uma matéria maior de duas ou três páginas e uma crítica de alguma peça. Percebi um formato muito tradicional e diga-se, seguro, na escolha das pautas. Sendo assim, fugir do óbvio fica um pouco difícil, e a tentativa de promover um debate sobre as artes cênicas desprendido da agenda cultural fica à míngua.  

 As reportagens seguem um padrão: estão vinculadas a um espetáculo cultural do mês, e tentam contextualizar essa obra com alguma discussão maior no campo das artes – a eficácia disso depende do repertório cultural do jornalista. O corpo de jornalistas e dramaturgos que escreve nessa seção é pequeno e restrito, mas de qualidade. Em geral são pessoas influentes e conhecedoras do universo cênico e que, portanto, sabem circular na indústria teatral.
A matéria de novembro “O Despertar do Artista”, não diferente deste padrão que citei, começa com uma discussão geral sobre o fazer teatro. A introdução propõe que a adaptação contemporânea de peças clássicas pode gerar montagens interessantes, ou seja, é válida a reapropriação de obras de dramaturgos consagrados por correntes estéticas de vanguarda. Esta é a tese inicial que puxa a matéria. 

Em seguida, o texto se refere a uma remontagem da obra do dramaturgo britânico Harold Pinter que estréia este mês em São Paulo. Ao passo que tenta informar sobre a importância de Pinter para a dramaturgia universal – conhecido por seus diálogos confusos que provocam estranhamento no espectador – a matéria tenta promover, também, a companhia que está encenando uma de suas peças. No fim, um box que procura expor as vertentes do teatro de Pinter, com a amostragem de alguns de seus mais famosos diálogos.  

Com exceção do box, o texto é o arroz com feijão que estamos acostumados a ler na Bravo! e como já vimos exaustivamente repetido em edições anteriores. A Bravo! precisa inovar sua cobertura, nem tanto na qualidade dos textos – que são muito bem escritos – mas na proposta de pautas mais instigantes e na busca por novos formatos.

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