Archive for November, 2008
Ficção e “bunda” na Bravo!?
Eduardo Hiraoka
A seção de música da revista Bravo! deste mês tem como carro-chefe uma matéria a respeito da vinda do R.E.M ao Brasil, para uma série de shows. Fiquei sabendo da idéia desta pauta ainda no início de outubro, quando conversamos com o editor de redação da revista, João Gabriel de Lima, e desde então, criei certa expectativa para ler a matéria, por gostar bastante do veterano grupo norte-americano.
Quando, então, peguei em mãos a edição de novembro e iniciei a leitura da reportagem, minha reação não foi das melhores. “Que texto estranho. Esta é mesmo a Bravo?”. Após uma curta introdução em que o jornalista, Arthur Dapieve, apresenta dois protagonistas de um de seus romances, dá-se início a um longo diálogo entre os personagens. E assim prossegue a matéria, com a conversa estendendo-se até a última das quatro páginas, até o último ponto final.
Bom, mas à altura deste último ponto final, já havia percebido que minhas conclusões haviam sido precipitadas. Se, a princípio, estranhei o estilo ficcional e o linguajar coloquial – características atípicas para a publicação -, aos poucos, vi o texto moldar-se, revelando a intenção do autor.
De forma habilidosa, Dapieve utiliza o suposto reencontro de seus personagens, ex-amantes, para falar sobre o foco da matéria – os shows do R.E.M. Todas as informações sobre o tema estão dissolvidas nas falas de Bernardino de Oliveira e Adelaide Novaes. O jornalista consegue, assim, num aparente papo-furado, relembrar parte do passado da banda e, também, avaliar o mais recente disco, Accelerate, lançado em 2008. Sobra espaço até para uma boa análise das letras das novas canções – que se relacionam com a vida dos próprios integrantes do R.E.M. – e, também, para a uma discussão a respeito do conflito entre a geração do vinil e tecnologia do mp3.
Como aspecto negativo, ressalto apenas o fato de que a matéria demora um certo tempo, ou umas certas linhas, para engrenar de fato, levando à desconfiança que já citei anteriormente. Por um instante, podemos imaginar que aquela conversa fiada não nos levará a lugar algum. Mas este defeito é irrelevante, frente ao bom aproveitamento do resto do texto.
Add comment November 29, 2008
Presentes de fim de ano
O final de ano no Brasil é musicalmente agitado. Nessa época o país costuma receber grandes atrações internacionais em seus palcos. Este ano não foi exceção. TIM Festival e Terra trouxeram mais de 20 atrações internacionais à São Paulo. O público, vendo os preços absurdos dos ingressos, tem que escolher quais shows apreciará e a imprensa, por sua vez, quais eventos estarão em suas páginas. A Bravo!, tendo que manter um equilbrio entre as seções da revista, deve fazer uma seleção criteriosa para a cobertura dos eventos. A tarefa não é fácil.
A revista escolheu aqueles que consideraram a principal atração de cada festival, ambos veteranos em seus respctivos estilos. Para o Tim, José Flávio Júvior entrevistou o lendário Sonny Rollins. Se o saxofonista era a principal atração do evento, não é possível garantir, uma vez que o festival trouxe músicos que agradariam a públicos diferentes. A escolha, no entanto, foi certeira. O artista era o único que, além da apresentação no Auditório Ibirapuera, iria fazer uma apresentação ao ar livre e de graça no evento, uma ótima oportunidade para os que ficassem com curiosidade de conhecer seu trabalho depois de ler a entrevista. Acabou sendo o show de maior sucesso no festival, que sofreu com cancelamentos de última hora. Para o Festival Planeta Terra, foi entrevistado, pelo mesmo repórter, o vocalista da banda veterana do rock Jesus and Mary Chain.Add comment November 27, 2008
As sutilezas da apresentação
Stephany T. Guerra
A matéria “Beleza e Reflexão” abre literalmente as portas da seção de artes plásticas do mês de novembro. Dessa vez resolvi comparar a Bravo! com seus principais concorrentes impressos que, na minha opinião, são os cadernos cuturais dos grandes jornais. Partindo da pauta: exposição de Cildo Meireles no Tate Modern, encontrei algum material, e resolvi escolher a Folha de S.P. como objeto comparativo.
Algumas das diferenças básicas e elementares entre os dois veículos são a periodicidade e o suporte. Isso, sem dúvida influencia nos modos de produção e abrangência. Para começo de conversa, é inviável para o jornal uma diagramação “ousada” como a da revista que cativa grande parte de seus leitores. E a imagem, meus caros, realmente tem um poder enorme sobre o espectador, principalmente, no campo das artes visuais.
Com relação à periodicidade, o fato da revista ser mensal conflui para a possibilidade e conseqüente exigência de uma boa apuração. Voltando à pauta escolhida, o texto elaborado pela Bravo é, e teria mesmo de ser, mais profunda e informativa que a da Ilustrada. Em contrapartida, a exposição no Tate Modern já havia sido anunciada em maio e voltou a ser pauta, nos meses seguintes – algo difícil de ocorrer na revista.
Um dos critérios de apuração para análise é a quantidade de fontes: na Bravo! encontrei sete, nas matérias do jornal encontrei duas ou, no máximo, três. Além disso, a importância histórica e estética do artista é melhor trabalhada na revista, apesar de se tratar de uma agenda cultural. Os ensaios, tão aclamados por leitores antigos da Bravo!, já não tem a mesma posição na revista que em tempos passados. Daí a necessidade da indagação: qual a proposta e as diferenças que a Bravo! deve manter em relação aos periódicos diários?
O texto conciso “Beleza e Reflexão” cumpriu sua proposta de apresentar, a quem ainda não conhecia, Cildo Meireles. Em comparação com as matérias que li do caderno Ilustrada, a relevância do tema exposto ao longo dos textos é muito mais convincente na Bravo!. A exposição no Tate Modern consagra a obra do artista contemporâneo e o legitima no circuito de arte internacional, bem como a Bravo! o faz em âmbito nacional por meio de seu discurso. Para o público da revista, seja ele especialista ou não no assunto, aí está a informação selecionada dentre os principais eventos culturais relacionados à arte, no caso, brasileira. Gostou das obras, se interessou pelo artista?! Corra ao Google e descubra mais, oras!
Add comment November 25, 2008
O simpático velhinho
Bruna Buzzo
Se outubro foi um mês fraco para os Livros da Bravo, novembro veio reviver o gosto por uma boa leitura com ninguém menos que José Saramago, o maior escritor em língua portuguesa da atualidade, e o lançamento de seu A Viagem do Elefante, obra que o escritor teve medo de não ver terminada.
A matéria é vasta: duas páginas (e alguns pedacinhos) sobre a vida, as obras e a tragetória de Saramago pelos campos da política, cultura, internet. Depois de explicações sobre diversos livros e temáticas, uma entrevista com o próprio, concedida a Bravo por email, onde nosso simpático velhinho responde a questões que vão desde seu novo livro até as eleições presidenciais norte-americanas (então ainda não realizadas), passando pela bem sucedida adaptação cinematográfica de Ensaio sobre a Cegueira.
A matéria, entitulada A Vida depois do Nobel, se apresenta ao leitor de forma muito mais simpática e atraente do que se fosse apenas uma explanação sobre os efeitos do prêmio na obra do autor e na literatura de seu páis. O repórter Almir de Freitas conseguiu unir estas informações, importantes quando se fala do maior prêmio do mundo literário, com a simpatia de José Saramago, compondo uma matéria coesa, bem explicada e que atrai o leitor, apesar de ser maior do que de costume. A disgramação leve também ajudou bastante neste ponto.
Folheando a revista, a sessão de Livros prende a atenção logo de cara: a primeira dupla da matéria, traz uma página só com texto, enquanto na outra página, temos nosso colega de pátria mãe (a língua, de F. Pessoa!) a nos observar. Saramago lança aos leitores um olhar de questionamento, um convite à leitura. Sua face é uma interrogação, um susto e também um consolo.
Aos 87 anos, este grande senhor sobreviveu à pneumonia, terminou seu novo livro, um conto de 258 páginas, como ele nos apresenta a obra. O Nobel apenas fortaleceu sua escrita: a hipotese de que o preêmio pode ser o final de um autor não se concretizou. E, para nossa sorte, Saramago esta mais saudável do que nunca e, atualmente no Brasil, ele até posta sobre em seu blog. Por hoje em dia, todos temos muito a dizer!
Add comment November 23, 2008
Busca por um legado
Thaís Viveiro
No encontro Bravo! do mês de outubro, o editor de conteúdo da revista, João Gabriel de Lima, lançou a seguinte pergunta: com todas as transformações que a produção musical vem sofrendo, será que a música de hoje deixará clássicos para o futuro? A questão lida com a relação entre o artista e o público. A capacidade de um artista mobilizar um número significativo de fãs e ser lembrado depois – afinal, a música parece ter uma vida cada vez mais curta. A revista trouxe esse mês uma artista que viu seu mais recente trabalho nascer da preocupação com a efemeridade da arte e da necessidade de compartilhar suas criações.
Meredith Monk, cantora americana, trouxe com o espetáculo Impermanência a ambição de aumentar o número de influenciados por sua obra e construir um legado musical. O que a repórter Elisa Tozzi nos mostra, no entanto, é justamente que a artista, antes mesmo da criação deste espetáculo, já havia atingido seu objetivos. Lendo os exemplos que a repórter traz para demostrar isso, percebi que tinha razão, apesar de eu nunca ter ouvido o nome da cantora antes.
Meredith não está entre os nomes conhecidos pelo grande público, mas está relacionado a nomes certamente familiares ao leitor da Bravo!. Suas músicas estão em filmes de Godard e dos irmãos Coen. Sua técnica vocal está presente nos trabalhos de Björk, sua admiradora
desde os 16 anos (na matéria do Estadão sobre Meredith, ela é considerada mãe da islandesa). Chegou também ao Brasil, no trabalho do grupo paulistano Mawaca. Mostra-se que o legado não está relacionado a um sucesso comercial, mas justamente à capacidade de produzir mais cultura.
A matéria pecou por não explicar melhor qual é o legado da cantora. Fala-se, por exemplo, em integrar diversas áreas da arte, mas não como isso é realizado. Apenas lendo o texto, não consegui imaginar como seria o som, ainda mais porque Meredith extrapola o conceito convencional de música. Fotos do espatáculo talvez ajudariam, já que se trata de uma apresentação performática. No canto da página, no entanto, havia um aviso remetendo ao site da revista: “conheça o trabalho da multiartista e dos que foram influenciados por ela”. Estou até agora procurando este material no site. Avise-me quem achar!
Add comment November 21, 2008
Time de blogueiros
Carolina Rossetti
A Bravo! está entrando com força no universo do jornalismo online. Cada vez mais se acentua a integração o conteúdo produzido pela versão impressa da revista com aquele do seu site.
No mês de novembro a revista deu o passo mais concreto para essa convergência entre as esferas do online com o da redação tradicional, publicada mensalmente. Na seção de teatro e dança da revista foi publicado, pela primeira vez, um texto de um blogueiro, o professor universitário e escritor Paulo Roberto Pires.
No editorial fica avisado que a partir deste mês a Bravo! contará com a colaboração de três novos blogueiros para comentar o que acontece de culturamente relevante no mês.
A essência do blog, como eu o avalio, é a destruição da hierarquia centralizadora da informação. É, portanto, a substituição de uma elite da informação por um espectro maior de comunicadores, criando uma ponte mais próxima entre o produtor de conteúdo e o receptor; em um universo 2.0 estes dois se misturam.
Com a inserção de blogueiros no corpo editorial da revista, a Bravo! tenta passar uma imagem de revista moderninha, antenada com o seu leitor. João Gabriel, ao falar de seu novo time de blogueiros, diz que são “extremamente parecidos com os leitores da revista. Os três são apaixonados por cultura. Freqüentam compulsivamente shows, concertos, espetáculos em geral. Têm estilo próprio e detestam o senso comum.”
A tentativa é aproximar o leitor da Bravo! das pessoas que ali escrevem, talvez uma oportunidade para destituir a imagem ultra-cult e intelectualizada da revista. A busca por uma linguagem mais despojada e familiar, típica dos blogs, pode criar um maior apelo para leitores jovens, aumentando assim a procura pela revista.
Como já havia comentado no meu post anterior, fica cada vez mais difícil cercear o jornalismo da Bravo! como sendo apenas o conteúdo mensal que vai para publicação. Os textos do site estão ganhando mais importância, e incentivando a participação do internauta no debate sobre cultura. Isso se dá especialmente devido à nova seção “Assunto do Dia” que, por vezes, produz textos mais sintonizados com as polêmicas no campo das artes, como foi o caso da seção de teatro no mês de outubro.
O texto do blogueiro Paulo Roberto Pires, publicada em novembro, é uma porta aberta um novo tipo de linguagem, antes não vista na Bravo!; menos sofisticada, mais engraçada, de leitura mais rápida e opinativa, sem ter muita relevância com as pautas da revista ou com a agenda cultural do Brasil, visto que Pires escreve sobre sua reação a uma peça de vanguarda que teve a oportunidade de ver quando em Nova York.
Não sei se essa proposta de rejuvenescimento do estilo da revista terá boa resposta diante do leitorado mais maduro, e me pergunto, também, sobre qual o teor informativo desses textos dos blogs. Penso que cabe aos novos integrantes da revista, ampliar o universo das pautas e discussões. Trarão eles algo de novo e criativo para além da cobertura já feita pela revista?
Acredito que a Bravo! está buscando romper com o seu formato tradicional (e previsível) de cobrir cultura no Brasil, resta descobrir o quão inovador e funcional será esse novo time de blogueiros.
Add comment November 19, 2008
Basta um beco
Eduardo Hiraoka
Muitos, entre crítica e público, reclamam da falta de grandes revelações no atual cenário musical do Brasil, país que em décadas passadas revelou exércitos de artistas de altíssima qualidade, desde Tom Jobim até os Novos Baianos.
Porém pouco se comenta a respeito de uma questão fundamental que está diretamente ligada ao problema da escassez citado anteriormente. Para que estas revelações apareçam é preciso que haja uma estrutura básica que as suporte inicialmente. É preciso uma vitrine, onde elas possam ser vistas – no caso da música, um palco, onde elas possam cantar.

Entre os anos 50 e 60, esta vitrine estava localizada na rua Duvivier, em Copacabana, Rio de Janeiro. Era o chamado “Beco das Garrafas”, nada menos do que o “berço” da Bossa Nova. Agora, no ano de 2008, aproveitando o festejado cinqüentenário de Chega de Saudade, o veterano produtor Luís Carlos Miele resolveu voltar ao antigo reduto artístico e fazer a música ecoar novamente no “Beco”.
E aproveitando o gancho da recuperação do “Beco”, a revista Bravo! trouxe, em outubro, um breve histórico sobre o local e sobre suas três principais boates – o Little Club, o Bottle’s e o Baccarat.
A matéria conta que, apesar do apelido pouco convidativo, a rua Duvivier viveu, em seu auge, uma verdadeira efervescência de novos talentos da música brasileira. Listando grandes nomes (como Elis Regina e Jorge Ben – hoje consagrados, mas na época, meros iniciantes), o repórter Fábio Rodrigues busca revelar a importância que o “Beco” representou para aquele momento da produção cultural carioca. A matéria também mostra como, sem apoio, o lugar logo foi abandonado.
Porém mais importante do que a conservação da memória daqueles bons tempos, é o exemplo que eles podem nos deixar. Pois aquelas três precárias boates, escondidas numa ruela de Copacabana, são a prova de que não é necessário muito esforço encontrarmos novas revelações na música brasileira. Este país transpira boa música. Só é preciso dar oportunidade para que ela se faça ouvir.
Add comment November 17, 2008
O berço da pauta
Carolina Rossetti
A coluna “Assunto do Dia”, do site da revista Bravo! criada em julho deste ano, foi uma boa alternativa para incentivar o debate dos leitores sobre temas de cultura. O editor chefe João Gabriel de Lima diz que, às vezes, essas discussões, iniciadas no site, ganham corpo e se desdobram em matérias mais extensas, publicadas, então, na revista impressa.
Com a análise que aqui fizemos nestes últimos meses, pude perceber que as pautas da Bravo! se constroem com base em alguns pilares básicos. Primeiramente, o mais relevante para a escolha das pautas parece ser a agenda cultural do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, como a estréia de filmes, peças de teatro, exposições e lançamento de publicações. Outros locais do Brasil ainda são parcialmente contemplados.
Cursos, palestras e encontros, dos quais participam os colaboradores e jornalistas da Bravo!, também, são espaços que potencialmente geram discussões relevantes para a revista, como foi a feira de Paraty que pautou a capa da edição de agosto.
Em seguida, a versão online da revista propõe todo dia um debate sobre algum tema de cultura. Vemos, portanto, que as pautas da Bravo! são escolhidas em resposta a essa confluência de espaços de encontro com a cultura (incluam-se aí os virtuais, como sites e blogs).
João Gabriel de Lima diz em um de seus editoriais que é a partir dessa “circulação de idéias que se faz uma revista de cultura”. Na internet, essa participação democrática no debate cultural se faz mais intensa e daí surgem, às vezes, os assuntos mais dinâmicos e interessantes do jornalismo produzido pela Bravo!
Pelo menos essa foi a minha opinião a respeito do mês de novembro, em relação à seção de teatro e dança. O assunto do dia 23 do mês anterior, “Onde estão os novos dramaturgos?”, de Laila Abou Mahmoud é talvez umas das pautas mais perspicazes sobre dramaturgia que a Bravo! emplacou, neste semestre.
Esse texto, mais que tentar identificar alguns dos pólos produtores de uma nova dramaturgia brasileira, se origina de uma observação inteligente da agenda teatral de São Paulo, que de acordo com ele, deu ênfase grande ao revival de encenações brasileiras da década de 1980. Afinal, onde estão as promessas do teatro brasileiro hoje? Esse é o foco principal da matéria que peca apenas por ser demais sucinta, ficando um gostinho de quero mais. Acredito que esse é um tema que deveria ser rediscutido pela editoria e possivelmente ampliado, em uma matéria maior e mais aprofundada nas próximas edições da revista. Fica a dica.
Add comment November 14, 2008
Tchubaruba até cansar
Thaís Viveiro
O repórter Armando Antenore já havia sugerido uma pauta sobre a jovem Mallu Magalhães há algum tempo, logo quando a cantora começou a despontar, contou João Gabriel, editor de conteúdo da revista, no último encontro Bravo!. A matéria, no entanto, saiu apenas em outubro, depois de muito já se ter ouvido sobre a garota de 16 anos.
Ainda assim, o repórter conseguiu trazer fatos novos e interessantes sobre a vida de Mallu e o começo pouco convencional de sua carreira. Armando Antenore mergulhou nos pensamentos e mostrou os passos que fizeram a cantora de Tchubaruba se tornar a representante brasileira daqueles que fazem parte de uma nova lógica da indústria fonográfica. A matéria, no entanto, teria sido muito mais surpreendente se feita assim que a pauta foi sugerida.
O episódio me fez refletir sobre a razão de ser do jornalismo cultural. Se o artista já pode se dar ao luxo de construir sua carreira sem assinar contrato com gravadoras, a mídia continua sendo essencial para que ele amplie seu público. De acordo com a matéria, o MySpace da Mallu Magalhães (onde primeiro divulgou seu trabalho) beirava 200 acessos em outubro de 2007. No final de janeiro do ano seguinte, depois de o jornalista musical Lúcio Ribeiro escrever uma nota sobre a garota em seu blog, sua página ultrapassava os 70 mil acessos. Do blog para a grande imprensa, da grande imprensa para o Jô Soares e comerciais de celular. A mídia construiu esse “fênomeno pop” ao qual a matéria se refere.
O público, da mesma forma, também depende da imprensa para ampliar seu repertório. Mesmo com a infinidade de informação disponível na Internet, o leitor agradece quando alguém pode guiá-lo, sobretudo aquele leitor que não é especialista no assunto. A mídia, pela autoridade que carrega, acaba conferindo um certo “certificado de qualidade” aos produtos culturais, como se dissesse “vale a pena ouvir isso”. O jornalista e seu editor, portanto, devem arriscar buscando novos artistas ao invés de repercutir o que está na mídia. E não seguir o que tem sido a “estratégia” fácil de grande parte das gravadoras nos últimos anos de investir sempre nos mesmos nomes, até que o público se canse. Assim como o artista, o jornalista deve usar a Internet a seu favor.
Antes e depois da revolução
É papel dos jornalista ainda suscitar debates e reflexões sobre os rumos da cultura, o que foi muito bem realizado no encontro Bravo! (o tema foi “Como a Internet mudou o mundo da música popular”). A revista, no entanto, não fez o mesmo, apesar de ter todos os ingredientes para isso: duas matéria consecutivas falando sobre períodos contrastantes da produção musical. A matéria seguinte, já comentada por Eduardo Hiraoka, trata um dos maiores executivos da indústria fonográfica que o país já teve. O leitor fica com o choque entre os dois momentos ao virar as páginas, mas nenhuma ponte é estabelecida entre eles de forma mais crítica.
1 comment November 13, 2008



